A agressividade nas eleições de 2022

A agressividade por parte da sociedade teve um grande crescimento nesses últimos tempos. Com a pandemia, foi confirmado cientificamente que diversas pessoas adoeceram com problemas psicológicos, entretanto, entrando no contexto político, podemos observar que as pessoas estão sendo movidas pela massa de ódio e desrespeito.

Para Freud, a psicologia das massas pode ser caracterizada por um grupo de indivíduos que possuem tanto uma ligação grupal, quanto com o seu líder. A priori, podemos afirmar que essas pessoas compartilham o sentimento de serem amados ou odiados por esse ‘mestre’.

massa, a partir da compreensão de pensadores como Freud e Adorno, “é um corpo social e orgânico, formado por indivíduos que se identificam solidariamente e se associam a um líder”. Ela pode apresentar comportamentos sociais “construtivos e amorosos” ou ser “a expressão da destruição e do ódio”. No decurso da história, ela se manifestou e se manifesta de muitos modos: “Está presente na igreja, no exército, no campo de futebol, nos comícios políticos de esquerda e direita, nos grupos que se autodenominam getulistas, lulistas e mesmo bolsonaristas” e “no movimento de rua que organizou as manifestações do ‘forabolsonaro‘”, explica Luís Carlos Petry.

Nessa última eleição, foi intensificado o ódio grupal pelos seguidores do bolsonarismo. Desde as eleições de 2018, já havia uma grande massa de agressividade por parte da população que acreditavam cegamente no seu “mito”. Palavras ofensivas sem nenhum motivo aparente, ameaças e até mesmo mortes, como por exemplo, os casos do capoeirista Moa Katendê, em 2018 na Bahia, e do tesoureiro do Partido dos Trabalhadores (PT) morto por um seguidor do bolsonarismo no dia 09 de junho de 2022. Crime de motivação torpe, foi realizado devido a mera discordância política. O policial Jorge Guaranho, autor do crime, decidiu executar outra pessoa por não concordar com um tema de festa ser sobre um movimento que ele não concordava.

A pesquisa recente do Datafolha, foram entrevistados 2556 pessoas em diversas cidades, no período de 27 a 28 de julho, e foi contabilizado que 60% dos entrevistados relataram sofrer hostilidade devido o posicionamento político. Já 58% relatam serem apoiadores do ex-presidente Lula.

A eleição ocorreu no último domingo, dia (02/10), e as redes sociais viraram uma espécie de campo de hostilidades gratuitas. O nordeste, por ser a região que mais votou no candidato Lula, está recebendo diversas ofensas e xenofóbicas. Em uma visão ampla, essa situação marcará o Brasil, mas não será de forma positiva.

Referências:

Tesoureiro do PT morto por policial bolsonarista: audiências de instrução começam nesta quarta (14) em Foz do Iguaçu. 2022. Disponível em: https://g1.globo.com/pr/oeste-sudoeste/noticia/2022/09/14/tesoureiro-do-pt-morto-por-policial-bolsonarista-audiencias-de-custodia-comecam-nesta-quarta-14-em-foz-do-iguacu.ghtml. Acesso em: 01 set. 2022.

FACHIN, Patricia. A psicologia das massas do nazi-fascismo e a ‘nebulosa do ideário bolsonarista’. 2021. Disponível em: https://www.ihu.unisinos.br/613642-a-psicologia-das-massas-do-nazi-fascismo-e-a-nebulosa-do-ideario-bolsonarista-entrevista-especial-com-luis-carlos-petry. Acesso em: 04 out. 2022.

MAÍRA, Cynara. DATAFOLHA: agressividade política afeta maioria dos eleitores, veja. 2022. Disponível em: https://jc.ne10.uol.com.br/colunas/jamildo/2022/08/15054855-datafolha-agressividade-politica-afeta-maioria-dos-eleitores-veja.html. Acesso em: 04 out. 2022.

BUENO, Cleuza Maria de Oliveira. A psicologia das massas nos discursos da dominação. 2019. Disponível em: https://appoa.org.br/correio/edicao/288/a_psicologia_das_massas_nos_discursos_da_dominacao/721. Acesso em: 03 out. 2022.

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Emanoelle Cavalcanti

Acadêmica de psicologia, voluntária na Ong Médicos do Mundo e jornalista comunitária.