A violência diária nas escolas

O termo bullying tem origem na palavra inglesa bully, que significa brigão, valentão. Mesmo sem uma denominação em português, se caracteriza quando um ou mais alunos passa a sistematicamente constranger e humilhar com agressões verbais ou físicas, outro colega de escola.

A face mais trágica desta violência dentro da escola aconteceu no dia sete de abril de 2011. Quando Wellington Menezes de Oliveira, de 23 anos, ex-aluno da Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, entrou e matou 12 estudantes e feriu à bala outros 12, antes de se matar com um tiro na cabeça. Whellington alegou ter sofrido bullyng na escola. Provocou comoção nacional, os brasileiros ficaram estarrecidos diante da tragédia inédita. A presidente chorou ao falar dos “brasileirinhos mortos”, e até a banda U2 fez uma homenagem em um show.

O tempo passou, mas pouco se fez para reduzir a violência nas escolas, tanto da influencia externa, como controle territorial pelo narcotráfico, seja na desconstrução desta violação entre alunos. Como já foi provado na Escola Tasso da Silveira, das chamadas “pequenas” violências, pode-se levar a umas grandes tragédias.

O bullying sempre existiu. Mas somente no fim da década de 1970, um estudo sobre tendências suicidas entre adolescentes, detectou-se que a maioria desses jovens tinha sofrido algum tipo constrangimento na escola. A necessidade da visibilidade de crianças e adolescentes, que muitas vezes ao uso da violência para tal, é uma das motivações para o bullyimg. Também, geralmente estes, não aprenderam a transformar sua raiva em diálogo e para quem o sofrimento do outro não é motivo para ele deixar de agir. Pelo contrário, sente-se satisfeito com a opressão do agredido.

Os alvos desse tipo de violência costumam apresentar particularidades, como obesidade ou magreza, até deficiências físicas, além de aspectos culturais, étnicos e religiosos. Mas destaca-se que a vitima costuma ser um jovem ou criança com baixa autoestima.

Os espectadores que atuam como torcida, reforçando a agressão, rindo parte desta prática cruel, são atores importantes nesta dinâmica, o agressor se vê incentivando com plateia. Geralmente, estão acostumados e encaram como natural dentro do ambiente escolar este tipo de violência.

Como consequência, o aluno pode querer abandonar os estudos, pois tem medo e vergonha de ir à escola, ou apresentar baixo rendimento. Existem casos que a vítimas passa aceitar o builliyng por se sentir inferior na sua condição e até a concordar com a agressão. São marcas psicológicas que podem acompanha-lo, em todos os aspectos, no decorrer da vida adulta. Pode ocorrer que o aluno vítima passe a escolher outras pessoas mais indefesas e passam a agredi-las, tornando-se alvo e agressor ao mesmo tempo.

Não é difícil identificar esta prática, basta que o professor se coloque no lugar da vítima. O apelido é engraçado? Mas como eu me sentiria se fosse chamado assim? O docente com sua experiência de vida e bom censo, deve explicar que o desrespeito ao colega é uma forma de violência. Não resolvendo, a direção da escola deve ser acionada, e se necessário, encaminhar para outros órgãos de assistência e psicologia. Destacamos que é papel da escola construir uma comunidade na qual todas as relações são respeitosas.

Sem um amplo processo de desconstrução da violência dentro da escola não conseguiremos vencer a violência na sociedade. E os municípios tem papel primordial nesta questão, já que o primeiro segmento de ensino é de responsabilidade destes.

Ou agimos, ou nunca vai acabar.

– Originalmente publicado no Jornal Hoje.

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Adriano Dias

Adriano Dias

Jornalista militante e fundador da #ComCausa

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