Memória: Joana Bonifácio

Hoje, dia 24 de abril, é um dia de memória e luta para aqueles que se solidarizam com a história de Joana Bonifácio. Em 2017, a jovem de 19 anos teve sua vida interrompida em um acidente trágico nos trilhos da Supervia, no Rio de Janeiro. Joana era uma estudante de ciências biológicas na Universidade da Zona Oeste e, apesar de morar na Baixada Fluminense, percorria cerca de 100 quilômetros todos os dias para realizar seu sonho de graduação.

Ao tentar embarcar em um trem em movimento, Joana teve uma das pernas presa na porta do vagão e seu corpo foi arrastado por cerca de 20 metros, até ser retirado dos trilhos somente 8 horas depois. A Supervia, empresa responsável pelo transporte, negou qualquer responsabilidade pelo caso e afirmou que a vítima se desequilibrou após ignorar o aviso sonoro do fechamento de portas.

A morte de Joana Bonifácio foi um choque para sua família e amigos, mas também mobilizou a sociedade civil em torno de uma luta por justiça e segurança no transporte público. Anualmente, movimentos e organizações da sociedade civil elaboram eventos para defender a memória de Joana e denunciar negligências vividas nos transportes públicos.

Joana Bonifácio era uma jovem esforçada, sonhadora e comprometida em mudar o mundo. Sua morte precoce é uma triste lembrança de como a negligência e o descaso podem interromper trajetórias brilhantes e sonhos realizados. Que sua memória inspire a luta por um transporte público seguro e acessível para todos.

Livro sobre desigualdade e segurança nos trens é lançado em memória de Joana 

O caso motivou a elaboração do livro “Não Foi Em Vão”, lançado em outubro de 2019. A  obra conta a história de Joana e traz dados sobre a dimensão e o perfil socioeconômico de quem está sendo morto no transporte ferroviário do Rio. Através do diagnóstico é possível entender que o racismo estrutural também se manifesta através da mobilidade. Organizada pela Casa Fluminense, a pesquisa foi construída por João Pedro Martins, Rafaela Albergaria e Vitor Mihessen.

Rafaela é assistente social e prima da vítima. Após a morte de Joana, ela foi a responsável pela mobilização de um ato na estação de Coelho da Rocha para denunciar o perigo que os trens ofereciam à população. A partir disso, ela conheceu outros casos parecidos como o de Joana e refletir sobre as condições dos transportes ferroviários.

“As pessoas se lesionam, às vezes se machucam gravemente por causa das condições do trem. Porque o vão é muito longe da plataforma, porque tem um desnível de altura, porque as portas não fecham ou porque as portas não abrem. Todo dia você vê alguém passando mal dentro do trem por causa da superlotação ou alguém se machucando por causa da estrutura mesmo. Perder a Joana desse jeito me fez desnaturalizar aquilo que a gente vivenciava todo dia e que acaba sendo naturalizado”, conta Rafaela.

Dados do Instituto de Segurança Pública, levantados pela Casa Fluminense, para a formulação do livro “Não foi em vão” revelam que, entre os anos de 2008 e 2018, ocorreram pelo menos 368 homicídios culposos por atropelamento rodoviário nos ramais e nas estações de trem do Rio. Destes, 68% eram pessoas negras. Trata-se de mais de uma morte por semana.

“O ramal Belford Roxo é o pior que tem. A Supervia acha que está fazendo um favor pra gente. É uma falta de respeito com a vida humana. A gente que é negro, pobre e da Baixada Fluminense é muito difícil conquistar as coisas. Foi uma luta pra ela conseguir e foi morta brutalmente por negligência. É revoltante!”, desabafa a mãe da vítima, Teresa Cristina.

Em nota, a SuperVia disse que se solidariza com familiares da vítima. “A empresa informa que o Ministério Público opinou pelo arquivamento do Inquérito Policial, em 8 de outubro de 2019. O Juiz da 1ª Vara Criminal de São João de Meriti acolheu o pedido do Ministério Público em 31 de outubro de 2019”.

Fonte – Noticias Preta

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Adriano Dias

Jornalista militante e fundador da #ComCausa