ComCausa foi homenageada na X FLIDAM

Está acontecendo no Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ) de Meriti o X Festival Literário Internacional da Diáspora Africana de São João de Meriti (FLIDAM). Que teve início dia 16 com o tema central sobre cotas raciais conduzido por Nuno Coelho, agente de Pastoral Negros.

O primeiro dia foi marcado por uma mesa abertura composta por pessoas de diversas religiões, além do reitor do IFRJ, Rafael Almada. Na fala de todas as pessoas, foi ressaltaram a importância da FLIDAM nestes dez anos de existência.

A ComCausa, colaboradora de longa dada da FLIDAM, esteve presente para falar sobre o projeto Nossa Gente Negra, que tem por objetivo enaltecer a contribuição da população negra para a formação da sociedade brasileira e combater o racismo. Buscando resgatar histórias de pessoas que contribuíram para a luta por direitos de pessoas negras, sobretudo da Baixada Fluminense. Assim, nesse ano de 2022, dentro do programa a ‘Memória e História’, resgatou o episódio da doméstica Marli Pereira Soares, a Marli Coragem, moradora da Baixada Fluminense que teve seu irmão assassinado e lutou por justiça enfrentando a policia militares, em plena ditadura.

Marli Coragem

Homenagens na FLIDAM

Nesta décima edição, os organizadores da FLIDAM estão prestando várias homenagens para quem contribuiu nos últimos anos com o Festival Literário. Entre estes esteve a ComCausa que recebeu uma homenagem por sua luta na defesa e promoção de Direitos Humanos, uma das causas que foi ressaltado pelo professor Rodney, diretor do IFRJ Meriti e um dos coordenadores da FLIDAM, é a atuação da instituição no episódio da Chacina da Baixada.

Live sobre Marli Coragem e FLIDAM

Com o o fundador da ComCausa, Adriano Dias, está nesta semana no escritório da instituição em Brasília, foi feita uma pequena live pela internet onde ele destacou a história de Marli coragem, e ressaltou a importância da FLIDAM nesses dez anos. E novamente afirmou a disposição da ComCausa na promoção dos direitos humanos e na luta antirracista.

A X FLIDAM, Festival Literário Internacional da Diáspora Africana (FLIDAM) começou neste quarta na Baixada Fluminense. Neste ano, o encontro terá como tema: Pela ampliação da política de cotas raciais em universidades e institutos brasileiros.

Sendo realizada desde 2012, tendo como cidade principal São João de Meriti, o Festival Literário Internacional da Diáspora Africana (FLIDAM) irá acontecer de 16 até 20 de novembro e terá a seguinte programação: 

Neste ano, o festival  será no Campus do IRFJ de São João de Meriti (Rua Vala da Divisa – Coelho da Rocha, São João de Meriti).

Confira abaixo a programação:

16/NOV

11h00 – Adriano Dias
– Estratégias para desconstrução das violências racistas
– Relato de Experiência

11h00
– Exposição Noeli Rocha

11h59
– Credenciamento

12h00 – Paulo Santos
– Exposição Ilustres & Anônimos: Personalidades Negras da Baixada Fluminense
– Exposição Rita Vianna
– Exposição Pérolas Negras: Luta dos guerreiros

12h00 – Rita Vianna
– Exposição Pérolas Negras: As diversas faces de João Cândido-marinheiro
– Exposição Pérolas Negras: Lágrimas da Liberdade
– Exposição Pérolas Negras: Aquatume (Princesa africana e avó de Zumbi dos Palmares)
– Exposição Pérolas Negras: Revolta da Chibata

12h00 – Fernanda Mattoso
– Axé Ateliê
– Feira

12h00 – Diogo Santana
– Livraria Córdula
– Feira

12h00
– Lançamento de Livro: Protestos de um sabiá prisioneiro
– Lançamento de Livro

12h20 – Debora Zambi │ Fátima Germano De O. Malaquias │ Iyá Lúcia De Oxum │Marcelo Luiz Silva Rosa │Maria Da Fé Da Silva Viana │ Professor Rodney│ Rafael Almada, Srª Madalena Filipi Vusawekumbi
– Mesa de Abertura do FLIDAM

12H30 – José Rolando, Zilferoli
– Homenagem in memoriam
– Sessão Solene

13h00 – Paulo Santos
– Lançamento de Livro: Baixada Fluminense em preto e branco
– Lançamento de Livro

13h30 – Nuno Coelho
– Palestra: Políticas Afirmativas sobre Cotas

14h00 – Ivonete Pereira
– Lançamento de Livro: Mulheres das Águas: antologia de contos, crônicas e poemas
– Lançamento de Livro

14h00 – Pituka Nirobe Akipalô
– Lançamento de Livro: Mulheres das Ervas: antologia de contos, crônicas e poemas
– Lançamento de Livro

14h00 – Gisele Silva
– Lançamento de Livro: A menina, seu pai e o jornal
– Lançamento de Livro

14h40
– Coffee-Break

15h00 – Erika Gloria Rocha Dos Santos │Leila Regina Silva Soares │Adriano Dias │Aldinho Hungria│ Alfredo Queiroz│ Denise Teixeira│Edilea Sylverio│ Eva Doris Rosental│ Fatima Monteiro│ Humberto Adami│Igor Da Silva Valpassos│Joelson Santiago│Jorge Florêncio De Oliveira│Juca Ribeiro│Letícia Florêncio│Luiz Eduardo Soares│ Marcelo Dias│ Marcelo Luiz Silva Rosa│Maria Da Fé Da Silva Viana│Nuno Coelho│Rafael Almada│Renata Costa│Roberto De Souza Rodrigues│Rose Cipriano│Tito Mineiro
– Prêmio Orgulho da Diáspora Africana – Políticas Públicas

18h00 – Anastásia Gomes│Debora Zambi│Jamall Dubeco│Ney Santos│Nice Neves│Octacílio Silva
– Sarau Poético Alimentando Vidas

17/NOV

11h59
– Credenciamento

12h00 – Paulo Santos
– Exposição Ilustres & Anônimos: Personalidades Negras da Baixada Fluminense
– Exposição

12h00 – Rita Vianna
– Exposição Pérolas Negras: Luta dos guerreiros
– Exposição Pérolas Negras: As diversas faces de João Cândido-marinheiro
– Exposição Pérolas Negras: Lágrimas da Liberdade
– Exposição Pérolas Negras: Aquatume (Princesa africana e avó de Zumbi dos Palmares)
– Exposição Pérolas Negras: Revolta da Chibata

12h00 – Fernanda Mattoso
– Axé Ateliê
– Feira

12h00 – Diogo Santana
– Livraria Córdula
– Feira

13h30 – Rosália De Oliveira Lemos
– Palestra Educador: Garantia de Direitos: As Cotas Raciais

14h00 – Luanna Alves
– Artesanato
– Feira

14h40
– Coffee-Break

15h00 – Jupter Martins De Abreu Junior│Marcelo Cardoso Da Costa│Rita Vianna│Anderson Oriente│André Moraes De Almeida│Clementino Junior│Cristtiane De Oliveira│Ercilia Coelho│Fábio Alves Araújo│Fernanda Delvalhas Piccolo│Flávio Glória Caminada Sabrá│Gilberto Garcia│Janaina Fernandes│Jaqueline Gomes De Jesus│João Guerreiro│Jorge Caê Rodrigues│Joyce Alves Rocha│Juliana Drumond│Ney Andrade│Nielson Bezerra│Otávio Henrique Rodrigues Meloni│Ronaldo Torres Braga│Rosália De Oliveira Lemos│Rosi Marina Rezende│Sonia Lage│Thuainy Campos│Thula Pires│Vinicius Baião│Vitor Gracciano│Wildson França
– Prêmio Orgulho da Diáspora Africana – Educador(a)

16h30 – Lucas Mendonça Rodrigues De Campos
– Flidamcine: Soula
– Sessão de Cinema

18h00 – Luana Luna
– Flidamcine: Eu, Oxum
– Sessão de Cinema

19h15 – Ricardo Rodrigues
– Flidamcine: O Mendigo
– Sessão de Cinema

19h15 – Clementino Junior
– Flidamcine: Romão
– Sessão de Cinema

20h00 – Thuainy Campos
– Flidamcine: 4 por 1
– Sessão de Cinema

20h03 – Thuainy Campos
– Flidamcine: O perdão
– Sessão de Cinema

20h10 – Thuainy Campos
– Flidamcine: Insight
– Sessão de Cinema

20h17 – Thuainy Campos
– Flidamcine: Livros não morrem
– Sessão de Cinema

18/NOV

11h30 – Márcia Ribeiro Joviano
– Lançamento de Livro: Pensamentos, despensamentos e etc

11h59
– Credenciamento

12h00 – Iyá Lúcia De Oxum
– Tenda Carolina Maria de Jesus

12h00 – Paulo Santos
– Exposição Ilustres & Anônimos: Personalidades Negras da Baixada Fluminense

12h00 – Rita Vianna
– Exposição Pérolas Negras: Luta dos guerreiros
– Exposição Pérolas Negras: As diversas faces de João Cândido-marinheiro
– Exposição Pérolas Negras: Lágrimas da Liberdade
– Exposição Pérolas Negras: Aquatume (Princesa africana e avó de Zumbi dos Palmares)
– Exposição Pérolas Negras: Revolta da Chibata

12h00 – Fernanda Mattoso
– Axé Ateliê

12h00 – Diogo Santana
– Livraria Córdula
– Feira

13h30
– Palestra Literatura

14h00 – Nice Neves
– Libertação de livros
– Vivência

14h00 – Valéria Assis
– Lançamento de Livro: Alunos Co-autores Antologia Sarau Afroindigena

14h00 – Marta Ferreira D’Oxum
– Lançamento de Livro: Redes Educativas e os Cadernos/Diários: crianças e jovens na educação de terreiros

14h40
– Coffee-Break

15h00 – Wesley Brasil│Alek Lean│Anastásia Gomes│Binho Cultura│Carlos Alberto Medeiros│Cristina Fernandes Warth│Debora Zambi│Diogo Santana│Elaine Marcelina│Eliana Sousa Costa│Elisabete Nascimento│Fernanda Felisberto│Jonas Henrique│Lia Vieira, Luciene – Lu Ain-Zaila│Macedo Griot│Marcão Baixada│Marcelo De Almeida Ferreira│Marcelo Gularte│Marcos Gomes│Maria Chocolate, Mônica Da Silva Verdam│Ney Santos│Nice Neves│Octacílio Silva│Paulo Santos│Reinaldo Sant’ana│Ricardo Rodrigues│Roberto Da Penha Barcelos│Robson De Jesus Rua, Stela Guedes Caputo│Veralindá Ménezes
– Prêmio Orgulho da Diáspora Africana – Literatura

15h00 – Robson De Jesus Rua
– Lançamento de Livro: O Mundo de Fabulas e de Livros

15h00 – Jacques D’Adesky
– Lançamento de Livro: Uma Breve História do Racismo – Intolerâncias, Genocídio e Crimes contra a Humanidade

16h00 – Maria Chocolate
– Lançamento de Livro: O Brasil Que Lê: Bibliotecas comunitárias e resistência cultural na formação de leitores

16h00 – Ney Santos
– Lançamento de Livro: Urubuzinho, quem diria… Virou galinha japonesa

16h00 – Ailton Machado
– Lançamento de Livro: As Desconfissões de Mano Chico

19/NOV

11h59
– Credenciamento

12h00 – Iyá Lúcia De Oxum
– Tenda Carolina Maria de Jesus

12h00 – Paulo Santos
– Exposição Ilustres & Anônimos: Personalidades Negras da Baixada Fluminense

12h00 – Rita Vianna
– Exposição Pérolas Negras: Luta dos guerreiros
– Exposição Pérolas Negras: As diversas faces de João Cândido-marinheiro
– Exposição Pérolas Negras: Lágrimas da Liberdade
– Exposição Pérolas Negras: Aquatume (Princesa africana e avó de Zumbi dos Palmares)
– Exposição Pérolas Negras: Revolta da Chibata

12h00 – Fernanda Mattoso
– Axé Ateliê

12h00 – Diogo Santana
– Livraria Córdula
– Feira

13h00 – Iyá Lúcia De Oxum, Mãe Isabel De Oyá, Pai Jorge
– Lavagem
– Apresentação

13h00 – Wagner Dos Dicionários
– Lançamento de Dicionário: Dicionário de Catacrese

13h30
– Palestra Diáspora: Intolerância Religiosa no Brasil e racismos cotidianos

14h00 – Nathália Fernandes
– Lançamento de Livro: O Espiritismo, a Magia e as Sete Linhas da Umbanda

14h00 – Tais Espírito Santo
– Lançamento de Livro: Ashanti: nossa pretinha

14h00 – Rodrigo Santos
– Lançamento de Livro: Fogo nas Encruzilhadas

14h00 – Vanessa Amaral
– Lançamento de Livro: Adreno Cromo

14h00 – Rosiane Rodrigues
– Lançamento de Livro: A luta por um modo de vida: enfrentamento ao racismo religioso no Brasil

14h40
– Coffee-Break

15h00 – Adailton Moreira Costa│Átila Bee│Doté Paulo De Otulu│Ekedi Maria Moura│Ethy Costa│Ivanir Dos Santos│Iyá Lúcia De Oxum│João Griôt│Julio Araujo│Lilia Fernanda Gutman T. Paranhos Langhi│Luana Luna│Luciano Henrique Lourenço│Luiz Alberto Chaves Júnior│Marcio De Souza Francisco│Marilena Mattos Andrade│Márcio De Lissa│Mãe Isabel De Oyá│Roberto Braga Tata Luazemi│Selma Maria Da Silva
– Prêmio Orgulho da Diáspora Africana – Diáspora

18h00 – Professor Rodney
– Mesa de encerramento

20/NOV

10h00
– Missa inculturada Afro
– Sessão Solene

Anualmente a cidade de São João de Meriti recebe o Festival Literário Internacional da Diáspora Africana (FLIDAM) na semana do dia 20 de novembro celebrando não só a literatura, mas também o conjunto de expressões da contemporaneidade da Baixada Fluminense. O evento reúne intelectuais de diversos campos da cultura da região.

Em 2022, a primeira edição após a pandemia, o evento acontece no IFRJ campus São João de Meriti após não conseguir prover os recursos de uma emenda parlamentar através da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Sem verbas suficientes e construída antes das eleições presidenciais deste ano, a organização do evento escolheu o tema das cotas raciais como norte das discussões.

O diretor do IFRJ campus São João de Meriti, Rodney Albuquerque, comenta o assunto:

“o tema da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deste ano foi “Desafios para a valorização de comunidades e povos tradicionais no Brasil” e convido a refletir: quais estudantes estão melhor preparados para disputar o ENEM? Os(as) estudantes negros e indígenas, muitos(as) disputam em condições muito desfavoráveis, precisam desta importante ação afirmativa. E os recentes casos de racismo só demonstram que o Brasil periférico, como nós aqui da Baixada Fluminense, precisa da ampliação desta política. Sem contar o congresso nacional recém eleito, bem reacionário, e a resposta de um novo governo eleito, demonstra que nossa democracia e o sistema de freios e contrapesos está funcionando como nunca.”

A programação deste ano inclui dezenas de homenagens a personagens que contribuíram de alguma forma nos dez anos do festival, além de exposições, palestras e outras atividades. Para conferir a programação completa, basta acessar acessar o link doity.com.br/flidam10 ou o instagram @flidamsjm.

A lei 10.639/03 inclui o ensino da história e cultura africana e afro-brasileira nos currículo.

Flidam 2022 | 16 a 20 de novembro de 2022
IFRJ campus São João de Meriti (Referência: Próximo da Churrascaria Oásis na Via Dutra)
Mais informações no Facebook da FLIDAM

FLIDAM terá o tema da ampliação das política de cotas

Acompanhe a programação em ComCausa.org.br/FLIDAM

Dez anos de Lei de Cotas

Completada 10 anos, a Política de Cotas foi uma das principais ferramentas para inserir jovens pretos, pardos e indígenas dentro dos espaços acadêmicos.  A Lei  nº 12.711/2012 garantiu que 50% do total de vagas nas universidades e institutos federais fossem reservadas para alunos que vieram de escolas públicas. Nesse recorte de 50%, as vagas são também oferecidas para pretos, pardos e indígenas. “No começo dos anos 2000, a cada 100 universitários, apenas 2 eram  negros. O Movimento Negro Unificado começou a formular propostas para a inclusão de cotas”, afirma Givânia Maria da Silva, co-fundadora e coordenadora do Coletivo de Educação da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ).

Para Denise Carreira, coordenadora institucional da organização social Ação Educativa, doutora em educação pela Universidade de São Paulo (USP) e integrante da Coordenação do Consórcio da pesquisa sobre o Balanço da Lei de Cotas, é preciso estar de olho na revisão da lei que está prevista para acontecer ainda este mês. “A revisão visa o aprimoramento e o fortalecimento da política de cotas e não o fim, porém também oferece riscos devido ao momento que estamos vivendo. As cotas sempre foram atacadas, o que oferece risco ao enfrentamento das desigualdades, especialmente o racismo que corrói a nossa sociedade”.

E mesmo com a inserção de jovens pretos, pardos e indígenas no espaço acadêmico ter ocorrido, a realidade está fora do que deveria ser proporcional pensando na população brasileira composta por 54% de pessoas negras. Por isso, a importância do Edital Identidades Negras: Políticas de Equidade Racial, promovido pelo o Fundo Baobá com o apoio da Imaginable Futures e da Fundação Lemann. Com a proposta de combater o racismo e promover a equidade racial no setor da Educação, será oferecido aporte de R$ 2,5 milhões para 10 organizações, grupos e coletivos negros que atuam na educação, implementam ou fomentam estratégias de enfrentamento ao racismo em instituições educacionais formais e não formais e buscam fortalecer a liderança e a representação da gente preta em espaços de decisão e poder por meio de programas, ações e políticas públicas.

“Pretendemos estimular mudanças tanto nos espaços de educação formal – escolas de educação infantil, ensino fundamental, médio, ensino superior-, como em espaços não formais – organizações de base comunitária, espaços populares que preparam jovens e adultos para os vestibulares, afinal nestes espaços também se dão as ações educativas, se ampliam oportunidades e se busca romper com as estruturas que o racismo nos submete”, afirma Fernanda Lopes, diretora de Programa do Fundo Baobá para a equidade racial.

Entre exemplos de iniciativas que já acontecem,  pensando nesse viés proposto pelo Edital, está a ORÍentação Afetiva, que fornece  acolhimento pautado no quilombismo e decolonialidade como prática política, teórica e afetiva. “Acompanho  nove alunos que se encontram em conflito e adoecimento causado pelo racismo institucional do ensino superior e, consequentemente, se sentem desmotivados para finalizar o trabalho de conclusão de curso. Tais discentes residem em diversos estados brasileiros, dentre eles Bahia, Minas Gerais, São Paulo, Natal e Brasília”, diz  Obirin Odara, idealizadora do projeto,  mestra em políticas sociais pela Universidade de Brasília e integrante do Perifa Connection, uma das organizações à frente da Campanha de 10 anos da Lei de Cotas no Brasil, que através de uma coalizão de iniciativas monitora a revisão da 12.711 para que ocorra de maneira justa e democrática.

O acompanhamento dos universitários acontece sempre pautado na escuta ativa, em construir toda uma narrativa de orientação individual. “Desde que iniciamos, três alunos entregaram a monografia e os seis demais seguem firmes”, diz. Para a idealizadora, em sua vida, as cotas serviram para um momento de reflexão quanto ao se enxergar no mundo. “Ser negra, até então, era algo que eu escondia e tentava fugir. Para a seleção de cotas, em contrapartida, foi o primeiro momento em minha vida que me recordo de falar com orgulho da cor de meus mais velhos e da minha cor. Era como se ali entendessem a importância disso, e eu me senti como quem rasga o silêncio com um sussurro”, afirma.

– Reprodução https://baoba.org.br/

Diáspora africana

A palavra diáspora é usada para identificar o deslocamento de grandes contingentes populacionais de um território originário para outras áreas. Tal dispersão de um povo –  em consequência de preconceitos ou perseguição política, religiosa ou étnica. “Um dos maiores deslocamentos, na verdade uma das grandes violências da humanidade que tem reflexos mesmo após séculos, foi da população africana para ser usada de mão de obra escrava nas Américas, principalmente no Brasil” – conta Adriano Dias, da ComCausa – “Segundo pesquisas, foram cerca de 1.700.000 pessoas trazidas do continente africano para serem escravizadas no Brasil. Navios fizeram mais de 9 mil viagens com traficando esta gente toda. Indiscutivelmente um dos maiores crimes da história da humanidade. Entretanto, em paralelo a esta violação, esta população que vinha de diversos pontos do continente africano tiveram uma grande influência e contribuíram enormemente para desenvolvimento cultural, social e intelectual da formação da identidade brasileira. Reconhecer esta importância é, no mínimo, buscar alguma reparação do passado, celebrar e promover, é buscar um Brasil socialmente melhor no futuro”.

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Débora Barroso

Estudante de ciências sociais e colaboradora da ComCausa.

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