Folia de Reis, memória e tradição

Folia de Reis remete a algumas memórias da minha infância. Minha bisavó Palmira, mais conhecida como Dona Filhinha, era apaixonada pela festa. Devota aos costumes e tradições, ela tinha muita fé no festejo. Todo ano ela acompanhava, fosse peregrinando atrás do cortejo ou recebendo os foliões no quintal de casa. Para quem não sabe, é muito comum que os foliões sejam recebidos em diversas casas, fosse no quintal ou à porta, onde são recepcionados com alegria, fé, devoção, café e comidas.

A Folia de Reis tem um forte apelo religioso, folclórico e cultural, ocorrendo entre o período de 24 de dezembro até o dia de Reis, em 6 de janeiro. Resumidamente, o enredo é uma homenagem à visita dos três Reis Magos: Gaspar, Melchior e Baltazar no dia do nascimento do menino Jesus. Guiados por uma estrela no céu, os três Reis encontram Jesus e os presenteiam com incenso, ouro e mirra. Respectivamente: fé, realeza e mortalidade.

A Folia é marcada por diversos personagens, entre eles bíblicos, o mestre, bandeireiro, coro, foliões e palhaços. Ah, os palhaços! Eram os meus integrantes preferidos quando criança, mesmo me passando um pouco de terror. São teatrais, gestuais e poéticos.

Cada região do Brasil tem suas especificidades no que se diz respeito aos grupos. Além disso, cada grupo tem sua própria bandeira ou estandarte. Na minha infância, por exemplo, no final do cortejo era costume entrar em alguma igreja católica e fazer a celebração de uma missa. O único integrante que não entrava eram os palhaços, eles ficavam na porta, teatralizando e esperando o fim da missa. Acredito que por eles estarem relacionados com uma esfera profana.

Na Baixada Fluminense existem diversos grupos de Folia de Reis, atuando de forma ativa até os dias atuais, levando alegria e fé para aqueles que são devotos às suas crenças.

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João Oscar

João Oscar é militante da Pastoral da Juventude da Baixada e jornalista comunitário.