Hoje Papa Francisco completa mais um ano de vida

Jorge Mario Bergoglio nasceu no dia 17 de dezembro de 1936 em Buenos Aires na Argentina, recebeu a ordenação presbiteral no dia 13 de dezembro de 1969, foi ordenado epíscopo em 27 de junho de 1992, tornou-se arcebispo metropolitano de Buenos Aires no dia 28 de fevereiro de 1998. Foi criado cardeal no Consistório Ordinário Público de 2001, ocorrido em 21 de fevereiro de 2001, presidido pelo Papa João Paulo II, recebendo o título de cardeal-presbítero de São Roberto Belarmino. Quando foi nomeado, convenceu centenas de argentinos a não viajarem para Roma. Em vez de irem ao Vaticano celebrar a nomeação, pediu que dessem o dinheiro da viagem aos pobres. Foi eleito papa em 13 de março de 2013.

Francisco se tornou então o primeiro Papa eleito do hemisfério sul e a usar o nome Francisco, uma homenagem a São Francisco de Assis, a escolha se deu por causa de Dom Cláudio Hummes, arcebispo emérito de São Paulo, logo após sua eleição, ainda na Capela Sistina disse a Francisco: “Não esqueça dos pobres”.

Pontificado:

Quando foi eleito papa na capela Sistina e perguntado se aceitava, Bergólio exclamou “Eu sou um grande pecador, confiando na misericórdia e paciência de Deus, no sofrimento, aceito”. Durante a cerimônia de apresentação do novo papa eleito na sacada de São Pedro, Francisco apareceu sem os luxuosos parabéns papais, e se dirigiu aos fiéis reunidos na Praça São Pedro. Vestido inteiramente de branco, ele apareceu cerca de 1h20 depois da fumaça branca que anunciou sua escolha, dizendo: “Irmãs e irmãos, boa noite. O caminho da Igreja da Roma é o caminho de fraternidade e do amor, vocês sabem que o dever do Conclave é dar um bispo à Roma, e parece que meus irmãos cardeais foram buscar no fim do mundo”, disse na sequência, em referência a seu país.

Por fim em um ato nosso pediu que à multidão fizesse um minuto de silêncio: “Rezem por mim e deem-me a vossa bênção”. Em seguida, proferiu a bênção Urbi et Orbi (da cidade para o mundo), encerrando, assim, o protocolo oficial do Conclave papal. Durante seu pontificado, Francisco se destacou por sua humildade, com ênfase na misericórdia de Deus, em vez de ficar no palácio apostólico, optou por residir na casa de hospedes Santa Marta, defendendo assim uma Igreja mais acolhedora.

Um dos pontos mais fortes da sua vida pública é a defesa da Mãe Terra, convocando assim um Sínodo para Amazônia e promulgando a Laudato’si e o documento final do sínodo “Amazônia: Novo rumos para a Igreja e para uma ecologia integral”. Convocou o Sinodo da juventude, cujo documento final se chama “Christus vivit (Cristo vive), e terminou com o Sinodo que buscou ouvir a Igreja do mundo todo, com etapas em casa instancia da Igreja.

Algumas atitudes de Francisco vem marcando seu pontificado, como acolhida da comunidade LGBTQIAP+, colocando mulheres em altos cargos dentro do Vaticano, e os duros ataques ao capitalismo desenfreado, e o comercio armamentista. Pediu perdão pelos abusos sexuais cometidos pelo clero, acobertamento desses padres, e buscou ajudar as vítimas. Pela primeira vez a Igreja fala desse assunto de maneira aberta.

Ditadura Argentina:

Jorge Mario Bergoglio, deixa de ser unanimidade em seu pais quando o assunto é a ditadura argentina, pesam sobre ele as acusações de “omisso” e até de “cumplice”, acusações feitas por jornalistas e integrantes de grupos de defesa de direitos humanos, como as Mães da Praça de Maio e o Centro de Estudos Legais e Sociais. Francisco se defende das acusações citando episódios em que ele teria ajudado perseguidos políticos. Até hoje não existem acusações formais ao Papa.

Quando estouruou a ditadura argentina Bergoglio estava à frente da Ordem Jesuíta, e segundo o jornal Pagina 12, há testemunhos de que em 1976 Bergolio teria “retirado a proteção” da Igreja dos sacerdotes jesuítas Orlando Yorio e Francisco Jalics, que faziam trabalho social com comunidades carentes de Buenos Aires, e terminaram sendo sequestrados e torturados.

Em 2010 Bergoglio teve de testemunhar sobre seu papel na ditadura argentina, ele não só negou as acusações, como disse ter se reunido com com o ditador Jorge Videla e o almirante Emílio Masera para pedir ajuda para salvar a vida dos dois religiosos. No livro de Emílio Mignone, Iglesia y Dictadura, e no O Silêncio, escrito pelo jornalista investigativo e ex-guerrilheiro argentino Horacio Verbitsky. Ambos afirmam que o bispo disse aos sacerdotes que eles deveriam abandonar o trabalho social ou renunciar à Companhia de Jesus – o que, segundo o Pagina 12, teria sido interpretado como uma “luz verde” para a repressão.

Em outro episódio que Bergoglio teve que esclarecer foi o da bebê Ana de la Cuadra nas mãos dos militares. Com base nessas cartas, Estela, irmã de Elena, acusa o papa de mentir ao dizer que apenas nos últimos 10 anos começou a tomar conhecimento sobre o sequestro de bebês por militares argentinos e de não fazer tudo o que estava a seu alcance para colaborar com os julgamentos sobre os abusos da ditadura.

A pedido da Promotoria do país e da organização Avós da Praça de Maio, formada pelas avós de crianças sequestradas pela ditadura, ele foi chamado a testemunhar, mas pediu para dará declaração por escrito. A promotoria apresentou à Justiça cartas enviadas a Bergoglio pelo avô de Ana, nas quais ele pedia ajuda para encontrar a neta e a filha, Elena – que desapareceu quando estava grávida de 5 meses.

Na biografia escrita por Sergio Rubin, mostra que Francisco escondia fugitivos da ditadura nos espaços da Igreja, tendo dado a um deles seu próprio documento para fugir para o Brasil.

Hebe de Bonafini, fundadora e presidente das Madres de Plaza de Mayo, a associação de mulheres que há quase 50 anos vem exigindo verdade e justiça na Argentina para os desaparecidos durante a ditadura militar, faleceu aos 93 anos de idade. Durante anos ela criticou Jorge Mario Bergoglio, depois, em 2016 encontraram-se na Santa Marta e ela pediu o seu perdão.

“Eu tinha perdido completamente a minha fé e quando a relação começou, ele me restituiu a fé, que é tão necessária…. Sem fé não se pode viver, e graças a esta fé falo com meus filhos todas as noites”, disse a senhora Hebe à rádio AM-530 em uma entrevista. O Papa Francisco “tinha me convidado muitas vezes para ir ao Vaticano”. Sentia que não deveria ir porque já havia discutido com ele muitas vezes. Até que um dia ele enviou um bispo à minha casa, com quem falei e aceitei o convite para visitá-lo”.

Infancia e Juventude:

Filho de imigrantes italianos Jorge Mario Bergoglio foi nascido e criado no bairro de Flores, atual sede do San Lorenzo, filho de Mario Giuseppe Bergoglio Vasallo,e Regina Maria Sivori Gogna, apaixonado por futebol, afirma que nunca perdeu um título do seu time San Lorenzo. Em carta aos dirigentes do clube que o visitaram uma semana após tornar-se Papa, relembrou: “Tem vindo à minha memória belas recordações, começando desde a minha infância. Segui, aos dez anos, a gloriosa campanha de 1946. Aquele gol de Pontoni!”

Em sua juventude se formou técnico em Quimica pela Escuela Técnica Industrial N° 27 Hipólito Yrigoyen. Teve uma doença respiratória que numa operação de remoção lhe fez perder um pulmão. E chegou a escrever a Amalia Damonte que caso sua relação com ela não terminasse em casamento se tornaria padre.

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João Oscar

João Oscar é militante de direitos humanos da Baixada e jornalista comunitário.