Lembremos de Mestre Moa

Romualdo Rosário da Costa, o Mestre Moa, teve um papel relevante na cultura baiana. Moa do Katendê morreu, aos 63 anos, esfaqueado em um bar na região onde nasceu e viveu em Salvador depois de uma discussão política.

Moa foi uma das primeiras vítimas do fascismo legitimado pela era Bolsonaro, um dia depois do primeiro turno das eleições de 2018. O motivo de ser assassinato, quando o mestre declarou seu voto ao então candidato Fernando Haddad (PT) e criticou o adversário, o hoje presidente Jair Bolsonaro (PL).

O assassinato de Moa

Paulo Sérgio Ferreira de Santana, de 36 anos, que assinou de Moa na madrugada de 8 de outubro 2018, afirmou em depoimento na polícia que não cometeu o crime por conta da divergência política, e sim porque foi xingado após se desentender com o capoeirista.

Conforme investigação, depois da discussão e da troca de ofensas no bar que estava Moa, Paulo Sérgio foi em casa, pegou uma faca e voltou ao estabelecimento. Ele relatou que entrou em luta corporal com o mestre de capoeira antes de esfaquear a vítima. No entanto, as testemunhas ouvidas pela polícia não confirmaram a versão do suspeito.

Paulo Sérgio disse que tinha consumindo bebida alcoólica desde o início da manhã de domingo e que estava arrependido do crime. Foram 12 facadas que acabou com a vida do mestre de capoeira, compositor e dançarino baiano de 63 anos.

Moa do Katendê

Mestre de capoeira, compositor, percussionista e agitador cultural desde os anos anos 1970, foi um dos fundadores do bloco Badauê, contribuindo para o fortalecimento do movimento musical afro-baiano, fonte de criação e formação da maioria dos músicos da Bahia. Colocou Moa no centro da importante cena musical afro-baiana.

Entre tantas iniciativas culturais que teve sua participação, pouco antes de seu assassinato, Moa do Katendê preparava registro de suas composições predominantemente de ijexás, entretendo não o viu concluído. Mesmo depois de sua morte, o seu projeto foi em frente e um álbum Raiz Afro Mãe, que foi lançado e disponível nas plataformas de música e conta com participações de peso, como  Criolo, Fabiana Cozza, GOG, BaianaSystem, BNgão, Emicida, Lazzo Matumbi, Luedji Luna, Letieres Leite, Rincon Sapiência, entre outros.

Documentário

A trajetória de Moa do Katendê foi recontada no documentário  “Mestre Moa do Katendê – A primeira vítima”, o filme traz o legado dessa expressão cultural deixada pelo professor e também denuncia seu assassinato – a facadas, por um eleitor do candidato a presidente Jair Bolsonaro.

Produzido pelo Conselho Gestor da Salvaguarda da Capoeira na Bahia e pela Associação Brasileira de Capoeira Angola, contou com apoio do Sindae – Sindicato dos Trabalhadores em Água e Esgoto no Estado da Bahia.  O filme, que tem 45 minutos e é composto por recorte de discursos, como o próprio diretor define.

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Adriano Dias

Jornalista militante e fundador da #ComCausa