Morre o Poeta Thiago de Mello

Aos 95 anos, o poeta e tradutor brasileiro Thiago de Mello. Morreu, em sua casa, em Manaus de causas naturais. reconhecido como um dos grandes autores da literatura regional, que completaria 96 anos no mês de março, ele alcançou fama internacional graças a poemas como o clássico Os Estatutos do Homem, escrito em abril de 1964. 

Thiago de Mello era incorporado cultural da embaixada do Brasil no Chile e amigo de Pablo Neruda. Nascido em 1926 em Barreirinha, no Amazonas, ele sempre foi um defensor da natureza. 

durante a Feira Internacional do Livro de Havana, em 2005, afirmou: “Para fazer algo em defesa da humanidade é preciso, em primeiro lugar, que cada um de nós tente persuadir pelo menos um companheiro, que cada um de nós faça qualquer coisa por este planeta Terra tão degradado”. “A Terra flutua hoje no espaço como um pássaro em extinção.” 

Em 1964, quando esteve exilado por conta da repressão militar viajou pela Argentina, Portugal, França, Alemanha e Chile. Tornou-se famoso um verso seu, que dizia: “Faz escuro mas eu canto”. Retornou ao Brasil em 1978, quando seu nome já era conhecido internacionalmente por lutar pelos direitos humanos, ecologia e paz mundial. 

Em 1981, Thiago de Mello publicou Mormaço na Floresta, no qual denunciava a destruição da mata da seguinte forma: “Enfim te descobrimos / Foi preciso que as águas mais azuis apodrecessem / que os pássaros parassem de cantar / que peixes fabulários se extinguissem / tua pele verde fosse aberta/ pelas garras de todas as ganâncias”. 

 O governo do Amazonas decretou, nesta sexta-feira (14), luto oficial de três dias pelo falecimento do poeta Thiago de Mello, aos 95 anos de idade. Um dos maiores e mais respeitados poetas brasileiros, Thiago de Mello é um expoente da cultura amazônica e deixa um importante legado para a literatura mundial. 

Com obras traduzidas para mais de 30 idiomas, Thiago de Mello foi homenageado pelo Governo do Amazonas em 2021, quando artistas de diferentes segmentos se uniram para a leitura do poema “Faz escuro, mas eu canto”. 

O poeta é membro da Academia Amazonense de Letras e recebeu o destaque de Personalidade Literária do Prêmio Jabuti, em 2018. O autor foi reconhecido pelo conjunto da obra, que é referência na literatura regional brasileira. 

De acordo com a Secretaria de Estado da Cultura e Economia Criativa, o velório será realizado no Centro Cultural Palácio Rio Negro, na avenida Sete de Setembro, 1546, Centro, com horário a confirmar e seguindo todos os protocolos de segurança sanitária. 

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João Oscar

João Oscar é militante da Pastoral da Juventude da Baixada e jornalista comunitário.