Morte de Cássia Eller

No dia 29 de dezembro de 2001 morria aos 39 anos Cássia Eller, no auge da carreira.

Na época seu empresário informou que ela vinha reclamando de enjoos e excesso de trabalho, ela passou mal e foi internada, teve quatro paradas cardíacas, em razão de um infarto do miocárdio repentino. Foi levantado a hipótese de overdose, já que a cantora havia admitido usar cocaína, mas em uma entrevista à revista Marie Claire de outubro de 2001, a mesma afirmou que estava sóbria há dois anos.

O Instituto Médico Legal (IML) do Rio de Janeiro após necropsia descartou pelos laudos periciais o uso de droga e comprovou que Cássia morreu de infarto oriundo de problemas cardíacos, como uma coronariosclerose leve (início de formação de trombos de gordura) e uma fibrose miocárdica (cicatrizes resultantes de outras lesões preexistentes). Cássia foi sepultada no Cemitério Parque Jardim da Saudade, no bairro de Sulacap, na cidade do Rio de Janeiro.

Cássia Eller nasceu em 10 de dezembro de 1962, filha de uma dona de cassa e um paraquedista, teve o nome sugerido pela avó, devota de Santa Rita de Cássia. Durante quase toda a sua vida tomou Benzetacil por conta de uma febre reumática, que teve aos 4 anos.

Aos 14 anos ganhou o seu primeiro violão e nasceu seu interesse pela música, logo aprendeu a tocar e inglês com as músicas dos Beatles. Aos 18 anos em Brasília, trabalhou em duas óperas como corista, cantou frevo, blues, rock e também tocou surdo em um grupo de samba.

Aos 19 anos morando em Belo Horizonte Cássia passou a trabalhar até servente de pedreiro . “Fiz massa e assentei tijolos”, contava. De volta a Brasília substituiu uma amiga como secretária no Ministério da Agricultura, mas foi demitida no terceiro dia e resolveu apenas cantar. Cantou em um grupo de forró e participou por dois anos do primeiro trio elétrico do Planalto, o Massa Real. Seu sonho era ser cantora de ópera.

Cássia despontou no mundo artístico em 1981, ao participar de um espetáculo de Oswaldo Montenegro. Caracterizada pela voz grave e pelo ecletismo musical, interpretou canções de grandes compositores do rock brasileiro, como Cazuza, Renato Russo e Rita Lee, além de artistas da MPB como Marisa Monte, Caetano Veloso e Chico Buarque, passando pelo pop de Nando Reis, rap de Xis e o incomum de Arrigo Barnabé e Wally Salomão, até sambas de Riachão e rocks internacionais de Janis Joplin, Jimi Hendrix, Beatles, John Lennon e Nirvana.

As maiores influências musicais de Cássia eram John Lennon, Paul McCartney e Nina Simone. Apesar de uma carreira curta, foi bastante importante no cenário musical brasileiro, tendo em torno de dez álbuns produzidos.

Com uma fita gravada com a canção “Por Enquanto”, de Renato Russo, que foi levada pelo tio Anderson – seu primeiro empresário – a PolyGram, o que resultou na contratação de Cássia pela gravadora.

Estourou de vez com a música do Cazuza “Malandragem”. Mudou sua maneira de cantar Por influência do filho, Chicão, que por volta dos 4 anos de idade disse que a mãe gritava demais e que preferia Marisa Monte, Cássia passou a cantar de uma maneira mais calma.

No dia 1 de janeiro de 2001, Cássia se apresenta no Palco Mundo do festival Rock in Rio para um público de cerca de 200 mil pessoas.

Em dezembro de 2002 foi lançado o álbum Dez de Dezembro, primeiro álbum póstumo de Cássia, que incluía faixas inéditas como “No Recreio” e “All Star”, sendo a última sobre a amizade de Cássia com Nando Reis.

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João Oscar

João Oscar é militante de direitos humanos da Baixada e jornalista comunitário.