Morte de Desmond Tutu

No dia 26 de dezembro de 2021, falecia aos 90 anos, o arcebispo Desmond Tutu, vencedor do Prêmio Nobel da Paz que ajudou a acabar com o apartheid na África do Sul.

O presidente do país, Cyril Ramaphosa, disse que o arcebispo Tutu ajudou a deixar à posteridade “uma África do Sul libertada”. Tutu foi uma das figuras mais conhecidas dentro e fora da África do Sul. Contemporâneo do ex-presidente Nelson Mandela (1918-2013), ele foi uma das forças motrizes por trás do movimento para acabar com a política de segregação racial e discriminação imposta pelo governo de minoria branca contra a maioria negra na África do Sul de 1948 a 1991, o chamado apartheid. Ele recebeu o prêmio Nobel em 1984 por seu papel na luta pela abolição do sistema. 

Apartheid foi um regime de segregação racial implementado na África do Sul em 1948 pelo pastor protestante Daniel François Malan — então primeiro-ministro —, e adotado até 1994 pelos sucessivos governos do Partido Nacional, no qual os direitos da maioria dos habitantes foram cerceados pela minoria branca no poder.

Em 1985, Tutu se tornou bispo de Joanesburgo e foi nomeado o primeiro arcebispo negro da Cidade do Cabo. Ele usou seu papel de destaque para falar contra a opressão dos negros em seu país, sempre dizendo que seus motivos eram religiosos e não políticos. Depois que Mandela se tornou o primeiro presidente negro da África do Sul em 1994, Tutu foi nomeado por ele para uma Comissão de Verdade e Reconciliação criada para investigar crimes cometidos por brancos e negros durante a era do apartheid. Ele também foi creditado por cunhar o termo Nação Arco-Íris para descrever a mistura étnica da África do Sul pós-apartheid, mas em seus últimos anos lamentou que a nação não tivesse se unido.  

Nascido no dia 7 de outubro em Klerksdorp, Desmond Mpilo Tutu, era o segundo filho de Zacheriah Zililo Tutu, um professor, e de Aleta, uma cozinheira. Aos 12 anos a sua famila se mudou para Johannesburgo onde ele Trevor Philips, chefe da paróquia de Sophiatown.

Tutu queria ser médico, mas sua família não podia pagar seus estudos então ele seguiu os passos do pai estudando até ir para a King’s College de Londres onde adquiriu bacharelato em Teologia.

Se tornou o primeiro negro a ser nomeado deão da catedral de Santa Maria, em Johannesburgo em 1975. Foi sagrado bispo e ficou à frente da diocese de Lesoto, foi também    secretário-geral do Conselho das Igrejas da África do Sul. Sua proposta para a sociedade sul-africana incluía direitos civis iguais para todos; abolição das leis que limitavam a circulação dos negros; um sistema educacional comum; e o fim das deportações forçadas de negros.

Se tornou presidente da Comissão de Reconciliação e Verdade, que tinha objetivo de promover a integração racial na África do Sul após a extinção do apartheid. Em 1997 divulgou o relatório final da comissão, que acusa de violação dos direitos humanos tanto as autoridades do regime racista sul-africano quanto as organizações que lutavam contra o apartheid na África do sul. Atualmente é membro do comitê de patrocínio da Coordenação internacional para o Decênio da cultura da não violência e da paz.

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João Oscar

João Oscar é militante de direitos humanos da Baixada e jornalista comunitário.