No dia 27 de maio de 2017 falecia Mãe Beata de Iemanjá

No dia 27 de maio de 2017, falecia aos 86 anos Mãe Beata de Iemanjá, que teve sua vida marcada na luta pelos direitos humanos, contra o racismo em todos os âmbitos, mas sobretudo o religioso, no acolhimento as pessoas LGBTQIAP+ e na causa ambiental.

Beatriz Moreira Costa é conhecida como Mãe Beata de Iemanjá. Nasceu em 20 de janeiro de 1931, em Cachoeira, na Bahia, Brasil. Era filha de Iemanjá, orixá das águas e mãe dos peixes e de Exu, orixá mensageiro e das encruzilhadas. Foi filha de santo de Mãe Olga do Alaketo do Ilê Maroiá Láji. Em 1969, separou-se do companheiro, saiu de Cachoeira e foi para o Rio de Janeiro, na qual trabalhou como atriz e figurinista em novelas da Rede Globo de Televisão, até sua aposentadoria. Em 20 de abril de 1985, Mãe Olga do Alaketo consagrou Mãe Beata de Iemanjá como Mãe de Santo do Ilê Omiojuarô, no Rio de Janeiro.

 

Foi ativista pelos direitos humanos, em especial os direitos das mulheres negras, escreveu os livros: “Caroço de Dendê, Sabedoria dos Terreiros” em 1997 e “As histórias que minha avó contava” em 2005. E em 2006, Glória Cecília de Souza Filho, escreveu a tese de doutorado em Educação na Universidade Estadual do Rio de Janeiro “Os Fios de Contos, de Mãe Beata de Iemanjá — Mitologia Afro-brasileira e Educação”. Mãe Beata também foi conselheira da Renafro — Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde. Recebeu a Medalha de Mérito Cívico Afro-Brasileiro, conferida pela Universidade da Cidadania Zumbi dos Palmares de São Paulo.

Em 2007, recebeu o Prêmio Bertha Lutz, que foi instituído pelo Senado Federal do Brasil para agraciar mulheres que tenham oferecido relevante contribuição na defesa dos direitos sexuais e reprodutivos. Em 2017, receberia a Medalha Tiradentes da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, que é uma honraria concedida pelo governo e destinada a premiar pessoas que prestaram relevantes serviços à causa pública do estado do Rio de Janeiro, Mãe Beata faleceu em ‎27 de maio de 2017, e a homenagem foi mantida e recebida por suas/os filhas/os.

A brasileira Beatriz Moreira Costa teve a educação fundamental brutalmente interrompida na 3ª série, por ordem do pai. “Filha dele não aprendia a ler, pra não fazer bilhete pra chamar homem pra detrás da casa”, recordava ela. A decisão acabou impotente para tirá-la do caminho, e a baiana do Recôncavo, de Cachoeira do Paraguaçu, aprendeu a ler com “papel velho, catado no lixo”. Tudo para pavimentar o destino de líder, que cumpriu como Mãe Beata de Iemanjá, a mais importante ialorixá do Rio.

Escritora, militante dos direitos humanos e do meio ambiente, ela morreu no dia 27 de maio aos 86 anos, e, para além da imensa importância religiosa, deixou inestimável herança de luta e sabedoria. Mas, justamente no momento em que a intolerância cresce a níveis assustadores, sobra uma interrogação: como substituir Mãe Beata na defesa das religiões afro-ameríndias, n acolhimento à comunidade LGBT, no enfrentamento ao racismo, na causa ambiental?

Fonte: Internet.

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João Oscar

João Oscar é militante de direitos humanos da Baixada e jornalista comunitário.