Operação Camanducaia

Os agentes do colocaram os jovens em um ônibus e levaram para Departamento Estadual de Investigações Criminais de São Paulo (Deic), às margens da Rodovia Fernão Dias, próximo ao município de Camanducaia, Minas Gerais.

Lá foram despidos e jogados de uma ribanceira, após uma sessão de espancamento. No dia seguinte, apenas 41 deles apareceram no município, nus e machucados, em busca de ajuda.

Devido à expressiva repercussão na mídia, investigações foram realizadas. No dia 13 de dezembro de 1974, o promotor de Justiça João Marques da Silva ofereceu denúncia contra 14 delegados e sete policiais, por abuso de autoridade, maus-tratos e abandono de menores.

Cerca de um ano depois, em 7 de outubro de 1975, no entanto, as Câmaras Conjuntas Criminais do Tribunal de Justiça de São Paulo, em unanimidade, concederam um habeas corpus aos acusados e determinaram o arquivamento do caso.

O episódio será recontado no documentário Operação Camanducaia, do diretor Tiago Toledo.  Para assistir o trailer, acesse:

Para a produção do filme, que parte de uma conversa com o escritor José Louzeiro, autor do livro Infância dos Mortos, baseado no episódio, foram entrevistadas cerca de 40 pessoas. Também foram realizadas pesquisas em aproximadamente 1,5 mil páginas de documentos e jornais. Estão entre os personagens do filme o jornalista Paulo Markun, o padre Júlio Lancellotti e o ex-governador de São Paulo Laudo Natel.

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Adriano Dias

Jornalista militante e fundador da #ComCausa