Palhaços de um Circo Trágico

Vocês acreditam que os palhaços da tragédia querem acabar com a criminalidade e com os assassinatos de policiais? A cada dia entram outros palhaços na ‘trupe da morte’, muitos destes, potenciais vítimas como o jovem negro que ri e produz a cena do filme que o torturado é executado pelo agente do estado com o jargão “bota na conta do Papa” no filme Tropa de Elite I.

Eles berram e babam quando morre um policial, mas não procuram as famílias para um apoio de verdade e não fazem absolutamente nada para que isso pare. Pois, se parar, sobre o que eles vão poder discursar? Somente contra negros, mulheres e gays? Nada cria mais adesão que o discurso do ‘bandido bom é bandido morto’, que foi roubado do ex-deputado Sivuca, que roubou do general Custer, norte-americano que viveu no século XIX, que dizia que “INDIO BOM É INDIO MORTO”.

Lembrando que Guilherme Godinho Ferreira, o Sivuca, era delegado de polícia que participava do grupo autointitulado Scuderie Detetive Le Cocq, esquadrão da morte escolhido por Luis França, então Secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, para “limpar” a cidade. Segundo Sivuca, “o grupo foi criado para dar satisfação à sociedade” e atuou nas décadas de 1960, 1970 e 1980. A quadrilha era liderada pelos chamados “Doze Homens de Ouro” (um para cada casa do zodíaco), eram doze famosos policiais que matavam aqueles que não se tornavam sócios no negócio do crime, predominantemente extermínio para controle territorial, roubo e jogo ilegal.

Por esta época também se intensificou a propagação do jargão ‘direitos humanos que defende bandido’, parte pela defesa dos presos políticos da época, vitimas de torturas e execuções pelo Estado Brasileiro, por outro lado para apequenar que defendia os direitos mais básicos, como o vida. A quem interessava que, de policiais até os moradores das ruas sem asfalto da Baixada Fluminense que viviam sob o jugo dos grupos de extermínio, eles tinham diretos a viver, morar, estudar, trabalhar, a sua cultura, entre outros?

Eu sou o militante dos ‘direitos humanos que defende bandido’? Mas nunca defendi o Eduardo Cunha, Sérgio Cabral, entre outros – e seus sócios – que fizeram um estrago que nenhum grupo de maltrapilhos, achando que com tênis de 1000 reais se tornam bandidos no nível dos políticos que hoje estão na cadeia. Quem opera na ponta do tráfico está no mesmo patamar de valor que o policial, segundo a quadrilha que lucra milhões em esquemas com a coisa pública.

Imaginem todo o contingente das polícias pedindo pelos direitos humanos de salário e condições de trabalho dignas. De apoio para suas famílias em sua falta. Do direito de saber que, antes dele entrar, ou ser jogado, em um território controlado por criminosos armados, tiveram a certeza que foram a ultima opção, não a primeira, para desmontar as articulações do crime. O direito humano do policial de não se sentir bucha de canhão de uma política de segurança errada há mais de trinta anos, onde já está comprovada a sua ineficiência pela pilha de cadáveres que os palhaços do circo trágico gostam de apontar, tanto do polícia, quanto do bandido. Se for “di menor”, melhor ainda!

O policial tem que ter o direito de não ser tratado como piões descartáveis de um jogo de xadrez perverso que a rainha (a política) coloca os ‘morríveis’ – policiais e a população pobre – para proteger o ‘status quo’ do rei (o poder).

Mas também não podemos deixar de responsabilizar pelas mortes, principalmente dos policiais, aqueles representantes do Estado que fazem negócio com a indústria do narcotráfico. Não estou falando do policial que vende o fuzil para o bandido, arma que depois vai matar seu colega, ou até ele mesmo, ou um familiar seu e um dos arrastões da Linha Vermelha. Falo de juízes, desembargadores e políticos que mantêm os currais fazendo pacto com o sangue alheio. Muitas vezes, com o sangue do policial.

Mas voltando aos ‘palhaços do circo trágico’, aqueles que falam que em enterro de policial os direitos humanos não vão, mas os ‘palhaços da morte vão’? Depois procuram os parentes e amigos? Cobram e acompanham as investigações? Doam seu tempo em escutar aqueles que perderam filhos, pais amigos. Os valentes palhaços da morte se arriscam buscando a responsabilidade e desmonte da conjuntura que levou a perda de mais uma vida pela violência? Passam madrugadas em julgamentos e fórum e chora por pessoas que nunca conheceu? Os ‘direitos humanos defensores’ de bandidos fazem.

Mesmo sendo autoridades, legisladores, os palhaços do circo trágico buscam saídas para dar fim ao espiral da violência? Elaboram saídas que não seja jogar mais trabalhadores da segurança pública para uma rinha de galo que ele fica torcendo para que os dois morram.

Não adianta comprar Urutu (blindado militar) para a polícia que as quadrilhas vão usar lança foguetes, pois granadas e armas de calibre .50 (que derrubam avião) eles já usam. Se não mudar a política de segurança nas cidades, continuaremos a contar as mortes desta falsa guerra. Batendo palma para o “palhaço do circo trágico” continuar sonhando em ser presidente da república.

| Artigo publicado no Jornal de Hoje, em 25 de julho de 2017.

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Adriano Dias

Jornalista militante e fundador da #ComCausa

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