Memória: Janaína Dutra

Advogada e Ativista aos dezessete anos no final da década de 1980, começou a dedicar seu tempo às causas LGBTI+ do Ceará e das pessoas que vivem com HIV/Aids. A ativista foi muito importante na construção do Grupo de Apoio Asa Branca, sendo uma das primeiras ativistas travestis a dialogar com o Ministério da Saúde para a construção de políticas públicas, dando origem ao então programa de enfrentamento às DSTs/Aids, com foco na prevenção e na assistência às travestis e transexuais.

Janaina nasceu em 30 de novembro de 1960, na cidade de Canindé (CE). Produto de uma família composta por dez irmãos. Na infância, em seu processo de reconhecimento, gostava de usar os vestidos das suas irmãs e se maquiar. Aos 14 anos, ainda na sua cidade natal, vieram os primeiros desafios, como o contato com a homofobia no convívio social e a descoberta de sua sexualidade por seu grupo familiar.

Foi co-fundadora (1989), assessora jurídica e vice-presidente (nos mandatos 1995, 1997, 1999 e 2001) da entidade. Um de seus destaque de atuação é o marco fundador do movimento da livre orientação sexual e identidade de gênero no Ceará.

“Janaina foi uma das precursoras na questão jurídica para travestis e transexuais no Ceará. No GRAB, ela participou de diversos projetos, entre eles destaque para o ‘Somos’ que trabalhava a prevenção de DSTs/Aids em diversos grupos. Em seu cotidiano, Janaina era uma pessoa muito doce e com um senso de humor muito elevado e refinado. Ela adorava declamar poemas e sempre era dura e assertiva quando precisava ser. Uma pessoa marcante e difícil de ser esquecida”, relata Chico Pedrosa, contemporâneo de Janaina.

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Adriano Dias

Jornalista militante e fundador da #ComCausa