Memória & História: Martírio do padre Gabriel Maire

O dia 23 de dezembro de 1989, foi marcado pelo martírio do padre Gabriel Maire, o Gaby, grande liderança popular e dos direitos humanos, sempre as vésperas do Natal, é realizada uma celebração de memória, silencio e luz em Cobi de Cima, Vila Velha, onde seu corpo foi encontrado. Esse momento é organizado pelo grupo Ecos de Gaby, que mantem preservada a memória do padre.

Sua chegada no Brasil foi em 1980, no Espirito Sando, e atuou ativamente nas Comunidades Eclesiais de Base (Cebs) da Igreja Católica. Incentivando a organização popular para a garantia de direitos. Dessa mobilização nasce o movimento de mulheres, culminando na atual Associação de Mulheres de Cariacica Buscando Libertação (Amucabuli).

Atuou também na Pastoral Operária e incentivou a juventude operária católica (JOC), coordenando um jornal chamado “Ferramenta”, feitos por operários para operários, com a intenção de dar informações e educar para uma cidadania e melhores condições de trabalho. O “Ferramenta” era distribuído nas comunidades, nas organizações de bairro e o mais importante, nas portas das empresas. Fortalecendo assim a luta trabalhista contra a precarização da mão de obra e a alta de dignidade dos trabalhadores.

Essa luta em favor dos trabalhadores o levou a receber diversas ameaças de morte, até que foi assassinado. O crime prescreveu em 2017, até hoje ninguém foi identificado ou punido, e se tentou imputar a ideia de que o crime era latrocino, ideia essa questionada pelo presidente do Tribunal de Justiça (TJES) na época, desembargador Pedro Valls Feu Rosa, em carta a sociedade. “Como pode, meu Deus, ter sido um reles assalto? A propósito, como morre gente assaltada em processos relacionados ao crime organizado! Como explicar-se, insisto, a repetição de procedimentos e nomes? A eliminação de testemunhas? Aliás, que assalto foi esse no qual os ladrões não levaram do relógio ao carro da vítima, o tão popular – e de fácil comercialização – fusca? Que assalto foi esse no qual os ladrões sequer reviraram os bolsos da vítima?”, indagou.

A tese mais defendida é a de que padre Gabriel foi interceptado em Castelo Branco, em Cariacica, levado para o areal de Vale Encantado, em Vila Velha, onde foi morto, sendo o corpo levado para a Carlos Lindemberg para simular o latrocínio.

O Ecos de Gaby já lançou dois livros para resgate da memória do sacerdote. O primeiro, Prefiro Morrer Pela Vida a Viver Pela Morte, mostra relatos de pessoas que conviveram com padre Gabriel. O outro, Ecos de Vitória, cartas escritas por ele para familiares e amigos na França, nas quais faz uma análise das conjunturas política, econômica, social e eclesial de Cariacica, do Espírito Santo e do Brasil.

Entre as homenagens feitas a ele também está a música Profeta Gabriel, composta pelo deputado federal Helder Salomão e interpretada pela cantora capixaba Raquel Passos, no seu segundo CD, Seguir Sempre.

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João Oscar

João Oscar é militante de direitos humanos da Baixada e jornalista comunitário.