ComCausa recebe padre Padre Constanzo Bruno

A ComCausa promoveu um Café no Pono com Padre Constanzo Bruno, ma das mais importantes lideranças da Igreja Católica da Baixada Fluminense e uma referência na luta pela dignidade da pessoa humana. Esta atividade fez parte da Jornada da Baixada de Direitos Humanos.

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Padre Bruno é de origem Italiana onde se ordenou. Nascido na cidade Fossano, na região de Piemonte, atendendo a um pedido da Igreja de lá veio para o Rio de Janeiro em 1969. Já na Arquidiocese do Rio atuou na Vila Aliança, na Zona Oeste da cidade, principalmente na luta pelos esquecidos, e depois se transferiu para a Diocese de Nova Iguaçu. 

Começamos a converas falando dos tempos em que Pe Bruno esteve na Arquidiocese do Rio e o seu ministério com o Dom Eugenio Salles. Entre os assuntos foi a relação de Dom Eugenio que articulava com alto escalão do governo na ditadura. Diante desta postura, Pe Bruno achou na Diocese de Nova Iguaçu Dom Adriano Hipólito o lugar certo para sua vida religiosa pois a mesma “articulava para o povo ser protagonista da sua história”, segundo Bruno. Na conversa, contou que já estava previsto dele ele se instalar no lote XV, em Belford Roxo, mas Dom Adriano pediu para primeiro ir para o Rachão por conta do Padre Waldyr que estava adoentado na época. Mas, logo depois foi para Lote XV onde está até hoje atuando diretamente com os menores do povo de Deus. 

Segundo Padre Bruno, na Baixada, a luta por direitos humanos teve um diferencial com a parceria e incentivo Dom Adriano Hipólito, Bispo da Diocese de Nova Iguaçu entre 1966 até 1995. “Ele começou a organização popular correspondente a realidade da Baixada, na região não tinha grandes industrias, mas empreiteiras que exploravam terrenos e o povo povo era jogado ali. Faltava tudo como saneamento básico e luz. Mas o pior era a violência da polícia e dos grupos de extermínio”. bruno afirma que o povo organizado nas comunidades eclesiais de base (CEBs) era incentivado a participar em defesa dos direitos do povo e daí nasceu a colaboração entre Igreja e movimentos populares que foi referência em todo o Brasil.  

Essa relação entere a Diocese e a população mais carente levou a ataques a Dom Adriano Hipólito. “Ele foi visto por esses grupos como o cabeça por trás dessa movimentação da base, e de fato a Diocese de Nova Iguaçu estava” – como lembrou Pe. Bruno – “A maior resistência foi da Igreja da Baixada. Por isso colocaram uma bomba na Catedral de Nova Iguaçu, sequestraram Dom Adriano e o jogaram nu pintado de vermelho na praça da Liberdade, acusando de Bispo comunista”. 

No encontro, Adriano Dias da ComCausa propôs que essas memórias fossem preservadas com vídeos e textos em conversas informais. Daí ficou combinado que sempre que possível, essas conversas com Pe Bruno serão realizada da Casa da ComCausa. “Pois só resgatando a memória, conhecendo a história de luta do nosso povo que vamos construir uma Baixada mais justa, fraterna e de paz”, falou Adriano. 

– Publicado em 02 de dezembro de 2021.

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João Oscar

João Oscar é militante de direitos humanos da Baixada e jornalista comunitário.